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O Repórter e o Estadista JK

R$ 11,00

Prefácio
Neste livro não me propus a escrever a biografia de JK. Acompanhando de perto as realizações do seu governo, compreendi que o exercício da profissão de jornalista me levara à interpretação de fatos históricos que, pela sua importância, não poderiam ficar restritos às páginas envelhecidas dos jornais. Em janeiro de 1956 não apenas se dava posse a um novo Presidente da República; a partir daquela data o Brasil sofreria um abalo sísmico em suas estruturas arcaicas, oferecendo-nos a impressão de que seria impossível deter o seu cami-nho para alinhar-se entre os países do Primeiro Mundo. Este processo revelaria a figura do maior estadista de nossa história, cujo perfil é a matéria-prima do nosso trabalho. Buscamos colocar dentro da trajetória do homem público outros aspectos que construíram a grandeza de sua vida. Quanto à obra administrativa do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, basta analisar o conjunto de suas metas para ver que alguma coisa de extraordinário aconteceu nos cinco anos de seu governo, culminando com a transferência da capital da República do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Das trinta metas inicialmente previstas – porque Brasília não fazia parte desse contexto – quase todas foram cumpridas na sua totalidade, devendo-se destacar que nove superaram as previsões. Na meta relativa à eletricidade, JK construiu as usinas de Furnas e Três Marias, fazendo com que o nosso potencial energético subisse de 3.148.000 quilowatts, em 1955, para 7.164.550 quilowatts, em 1961. No setor de rodovias, 24 mil quilômetros de estradas foram construídos, sendo pavimenta dos 5.800 quilômetros. Obras gigantescas como a Belém–Brasília e a Fortaleza–Brasília estão inseridas nessa estatística. Não há dúvidas de que Juscelino foi o único dos nossos presidentes a cumprir as promessas feitas em praça pública. O movimento militar que assumiu o poder em abril de 1964 viria interromper esse processo de desenvolvimento, nos termos planejados por JK. Era necessário que Juscelino voltasse em 1965, quando pretendia realizar um plano audacioso em benefício da agricultura, modernizando-a e dando maior assistência ao agricultor. Sua candidatura já estava lançada e seria tranqüilamente eleito não fosse a supressão das eleições e do próprio regime democrático. Mas o governo discricionário iria mais longe e em 8 de junho de 1964 cassara os direitos políticos de JK. Coube ao marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, então no exercício da Presidência da República, assinar o ato que o afastaria, em definitivo, da vida pública. A partir desse ato começaria o calvário de Juscelino, desdobrando-se em dias amargos, que vão desde o exílio até a sua morte trágica e ainda misteriosa. O livro, que hoje ponho à disposição dos leitores, conta com um outro personagem que às vezes se confunde com o pró-prio autor: o repórter Luiz, que teve uma existência dedicada ao jornalismo e à política, sempre apegado a princípios éticos e morais. Romântico, o seu mundo sentimental é repleto de grandes emoções e de ternas lembranças. Admirador de JK, a quem ajudou na campanha eleitoral e na luta pela sua posse, as coincidências da vida o levam a trabalhar como repórter no Palácio do Catete e no Planalto, exatamente quando Jus-celino realizava a sua imensa obra administrativa. Luiz é o idealista que não abre mão de ver o mundo reformado, humanizado. Sonha em governar o seu Estado natal para colocar em execução um programa que jamais passaria pela cabeça dos governantes comprometidos com os grupos oli-gárquicos. Mas o colapso da democracia faz ruir todos os seus planos. E sente o desencanto de uma carreira política frustrada e da vitória de um pragmatismo aético na vida pública – o extremo oposto de tudo aquilo que ele defendera. Na análise que faz de suas derrotas políticas não deixa de lamentar a ignorância e a alienação dos eleitores, que facilmente partici-pam do comércio ilícito dos votos, indiferentes aos interesses nacionais. O Repórter e o Estadista JK não é apenas o trabalho de um jornalista, nem se limita ao simples escrever dos redatores. É possível que haja um algo mais em suas páginas, pois uma obra literária não pode acomodar-se dentro de uma linguagem burocrática. Engenho e arte são perspectivas que devem buscar os autores. E terão a recompensa de leitores que também cultuam o estilo.

EditoraProjecto Editorial
AutorDilson Ribeiro
FormatoPDF
LeitorDrumlin Security
ImpressãoNão permitida
SeleçãoNão permitida
FreteR$ 0,00 (Download imediato)

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